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09 Novembro 2004
Quem passou a infância pelos anos setenta e oitenta deve se lembrar dos desenhos da Hanna Barbera. Há um desenho animado que me veio à memória logo assim que conheci a figura de quemvou falar hoje. Eram os Impossíveis, em particular o personagem chamado Multi Homem.
Com quantas atividades é possível se envolver ao mesmo tempo? Você consegue dar conta de todas as coisas com as quais se envolve? Quanta informação é possível absorver por dia? Quanto de informação absorvida é efetivamente aproveitada? Internet, revistas, jornais impressos, jornais on-line, telejornal, tv a cabo etc. etc. etc. ... Amigos, barzinho, Orkut, Multiply, 1Grau, cinema etc. etc. etc. ...
É... tem horas que o poder do Multi Homem seria bem conveniente...
Desdobrar-se entre escritório, PUC, aulas de pós-graduação, estudos de doutorado, pesquisa bibligráfica, body pump, ioga, boteco com amigos... ufa!
Outro dia eu saía da PUC, à tarde, e estava super atrasado para chegar à Avenida Princesa Isabel, em Copacabana. Entrei em um táxi e toquei pra Copa. Nisso vira o motorista e me mostra um recorte de jornal onde ele próprio aparecia em uma reportagem.
Então o taxista começa a me falar sobre suas atividades. Ele, de nome José Israel, faz ponto na rua São Clemente, em Botafogo, ali na saída do Metrô na altura da Igreja Universal. Paraibano, com certeza, carioca, sim senhor, como ele mesmo diz, é autor do livro Taxi, meu divã, que era objeto da tal reportagem que me mostrara minutos antes. No livro, ele conta casos verídicos acontecidos em seu taxi durante anos. São casos como o dia em que teve uma arma apontada para sua cabeça. Detalhe: a arma era empunhada por uma esposa ciumenta que perseguia o marido e a amante que seguiam em outro carro...
A seu Israel é líder comunitário na comunidade de Magé, onde participa de ações ecológicas, entre outras. Além disso, também elabora roteiro de teatro e ainda por cima faz um curso de teologia, enquanto procura editora para seu novo livro... e tudo isso sem largar o taxi!
Computador? Vixe! O filho estuda jornalismo e mantém um blog, mas ele mesmo não aperta uma tecla sequer... e nem precisa, ele tem as experências e a disposição para realizar mil e uma atividades paralelas. Seu Israel até queria montar um blog, ou um site, mas não tem jeito, vai ter que pedir ao filho.
Agora eu pergunto: com esse marketing pessoal todo, acha que ele precisa de website?




