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25 Dezembro 2004
Então é Natal!
Finalmente chegou o Natal! É bom poder tirar o pó de todos os meus CDs de canções natalinas e ouvi-las em volume bem alto. Na verdade ouvi as canções antes do Natal, porque, no dia mesmo ouvi milhões de coisas. No CD player tocou desde Bobby McFerrin & Yo-Yo Ma até música indiana, passando pelo indefectível Cake.
Bom, aproxima-se o final do ano. Por isso, vou resumir algumas idéias que estavam anotadas em meu bloquim.
1. Bibliotecas X livrarias
Já perceberam como as livrarias são muito mais divertidas do que as bibliotecas? Livrarias têm sempre vendedoras jovens e simpáticas que nos atendem com um Deseja alguma coisa, Sr.? Se você vai a uma biblioteca, já imagina uma bibliotecária de óculos de tartaruga, estantes cheias de livros que só podem ser localizados por aqueles que detêm o profundo conhecimento dos indecifráveis códigos de catalogação, de indexação, da tábua de Cutter etc. e tal.
Agora pensem em um web site de livraria. Amazon.com, por exemplo. Gráficos brilhantes, textos persuasivos, resenhas, imagens das capinhas dos livros, dicas de produtos similares.
Agora, dêem uma olhada em um web site de biblioteca. Pode ser a da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Uerj. Geralmente é difícil descobrir qual o endereço do site de uma biblioteca. Ou a URL é uma sigla pouco clara, ou ainda, é difícil achar o link que levará à tela de consulta ao acervo.
Aguardo ansioso o dia em que os projetistas de telas para bibliotecas on-line descobrirão que essas telas precisam ter o mesmo apelo (apelo emocional, inclusive) que as telas de uma livraria. Enquanto esse dia não chega, continuo minha pesquisa sobre bibliotecas e satisfação de usuários de sistemas de informação.
2. O design das coisas cotidianas
Volto a me referir a Donald Norman, autor de The design of everyday things. Recentemente entrei em um elevador de um edifício comercial em Copacabana. Eu pretendia descer ao térreo e procurei, no painel dos botões do elevador, o botão que deveria pressionar. Para minha surpresa, havia a seguinte seqüência: 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 0, -1!!!
Como assim zero e menos um?!?!?! Cadê o botão pro térreo??? Cadê o botão de primeiro andar??
Onde está a usabilidade das coisas cotidianas?
3. Orkut e Jean Baudrillard
Você tem Orkut? Outro dia uma colega da classe de yoga me fez essa pergunta. Claro que respondi positivamente. Muitos se gabam de ter inúmeros risinhos, gelinhos e coraçõezinhos em seus perfis. Minha leitura disso? Carência. Pura e simples carência afetiva...
Será que é necessário ter esse tipo de respaldo para sentir-se bem? Gente, por favor, coloca coraçõezinhos no meu Karma, vai!!! Já recebi mensagens desse tipo. Vê se pode: tem gente que quer ser convidado para a comunidade dos mais amados do Orkut!
E ainda tem aqueles que adicionam cães e gatos em seu perfil só para chegar à marca de 1.000 amigos! Como já dizia o rei Roberto Carlos, eu quero ter um milhão de amigos! Mas quero amigos dos quais eu tenha o mínimo de contato! Não quero ser amigo de um perfil orkutiano meramente.
Conheci Andrea Blois por intermédio da Luciana (o link dela já postei anteriormente) . A Blois não está no Orkut, não tem MSN e ainda acha um saco ter que chegar em casa e ler e-mails. Mas somos bons amigos, apesar do "abismo tecnológico" que nos separa! Assim como a Andrea, tenho inúmeros amigos que conquistei ao longo da vida muito antes do surgimento desses sites de relacionamento. Mas, penso que, para muitas pessoas, parece ser muito mais confortável ficar oculto por trás de um perfil do que mostrar-se aberto, com defeitos e com qualidades reais.
Vocês sabem que eu sou fã ardoroso das redes de relacionamento e comunidades virtuais. Mas, ficar preso aos resultados de uma tela tipo Par Perfeito, Almas Gêmeas, Superencontros ou Disponível já beira a um comportamento neurótico.
Tem jeito não, gente boa... É melhor se esforçar para fazer netiuôrquin no tetiatéti.
4. Momento culinário
De que me adianta ter bacalhau da melhor qualidade, buscar na internet e imprimir uma excelente receita se não souber cozinhar?
Para exercer qualquer ofício, inclusive para o design, é preciso mais do que ter a ferramenta. É preciso ter conhecimento e sensibilidade.
Um bom bacalhau e uma bom receita não são nada sem um bom cozinheiro...
Finalmente chegou o Natal! É bom poder tirar o pó de todos os meus CDs de canções natalinas e ouvi-las em volume bem alto. Na verdade ouvi as canções antes do Natal, porque, no dia mesmo ouvi milhões de coisas. No CD player tocou desde Bobby McFerrin & Yo-Yo Ma até música indiana, passando pelo indefectível Cake.
Bom, aproxima-se o final do ano. Por isso, vou resumir algumas idéias que estavam anotadas em meu bloquim.
1. Bibliotecas X livrarias
Já perceberam como as livrarias são muito mais divertidas do que as bibliotecas? Livrarias têm sempre vendedoras jovens e simpáticas que nos atendem com um Deseja alguma coisa, Sr.? Se você vai a uma biblioteca, já imagina uma bibliotecária de óculos de tartaruga, estantes cheias de livros que só podem ser localizados por aqueles que detêm o profundo conhecimento dos indecifráveis códigos de catalogação, de indexação, da tábua de Cutter etc. e tal.
Agora pensem em um web site de livraria. Amazon.com, por exemplo. Gráficos brilhantes, textos persuasivos, resenhas, imagens das capinhas dos livros, dicas de produtos similares.
Agora, dêem uma olhada em um web site de biblioteca. Pode ser a da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Uerj. Geralmente é difícil descobrir qual o endereço do site de uma biblioteca. Ou a URL é uma sigla pouco clara, ou ainda, é difícil achar o link que levará à tela de consulta ao acervo.
Aguardo ansioso o dia em que os projetistas de telas para bibliotecas on-line descobrirão que essas telas precisam ter o mesmo apelo (apelo emocional, inclusive) que as telas de uma livraria. Enquanto esse dia não chega, continuo minha pesquisa sobre bibliotecas e satisfação de usuários de sistemas de informação.
2. O design das coisas cotidianas
Volto a me referir a Donald Norman, autor de The design of everyday things. Recentemente entrei em um elevador de um edifício comercial em Copacabana. Eu pretendia descer ao térreo e procurei, no painel dos botões do elevador, o botão que deveria pressionar. Para minha surpresa, havia a seguinte seqüência: 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 0, -1!!!
Como assim zero e menos um?!?!?! Cadê o botão pro térreo??? Cadê o botão de primeiro andar??
Onde está a usabilidade das coisas cotidianas?
3. Orkut e Jean Baudrillard
Você tem Orkut? Outro dia uma colega da classe de yoga me fez essa pergunta. Claro que respondi positivamente. Muitos se gabam de ter inúmeros risinhos, gelinhos e coraçõezinhos em seus perfis. Minha leitura disso? Carência. Pura e simples carência afetiva...
Será que é necessário ter esse tipo de respaldo para sentir-se bem? Gente, por favor, coloca coraçõezinhos no meu Karma, vai!!! Já recebi mensagens desse tipo. Vê se pode: tem gente que quer ser convidado para a comunidade dos mais amados do Orkut!
E ainda tem aqueles que adicionam cães e gatos em seu perfil só para chegar à marca de 1.000 amigos! Como já dizia o rei Roberto Carlos, eu quero ter um milhão de amigos! Mas quero amigos dos quais eu tenha o mínimo de contato! Não quero ser amigo de um perfil orkutiano meramente.
Conheci Andrea Blois por intermédio da Luciana (o link dela já postei anteriormente) . A Blois não está no Orkut, não tem MSN e ainda acha um saco ter que chegar em casa e ler e-mails. Mas somos bons amigos, apesar do "abismo tecnológico" que nos separa! Assim como a Andrea, tenho inúmeros amigos que conquistei ao longo da vida muito antes do surgimento desses sites de relacionamento. Mas, penso que, para muitas pessoas, parece ser muito mais confortável ficar oculto por trás de um perfil do que mostrar-se aberto, com defeitos e com qualidades reais.
Vocês sabem que eu sou fã ardoroso das redes de relacionamento e comunidades virtuais. Mas, ficar preso aos resultados de uma tela tipo Par Perfeito, Almas Gêmeas, Superencontros ou Disponível já beira a um comportamento neurótico.
Tem jeito não, gente boa... É melhor se esforçar para fazer netiuôrquin no tetiatéti.
4. Momento culinário
De que me adianta ter bacalhau da melhor qualidade, buscar na internet e imprimir uma excelente receita se não souber cozinhar?
Para exercer qualquer ofício, inclusive para o design, é preciso mais do que ter a ferramenta. É preciso ter conhecimento e sensibilidade.
Um bom bacalhau e uma bom receita não são nada sem um bom cozinheiro...
22 Dezembro 2004
Você sabe do que o seu cliente precisa?
Esse é um mal que , certamente, assola a mente de todo projetista: pensar que sabe o que se passa pela cabeça do cliente e o que o cliente deseja. Pensa do alto de seu pedestal: Já que sou eu que vou executar o projeto, então ninguém melhor do que eu para dizer pro cliente qual a sua necessidade... Lêdo engano!
Vocês devem lembrar de uma propaganda da IBM em que figuravam dois senhores em uma conversa. Um dizia: Nós precisamos de um site na internet! E o outro, depois de pensar, pergunta: Site na internet? Para que?.
Pois é. Às vezes pensa-se saber muito e ter todas as convicções do mundo. Mas, como diria o velho e sempre emburrado Nietzsche: As convicções são maiores inimigas da verdade do que as mentiras.
Mas, por que falo dessas coisas? Hoje eu participei de reunião de levantamento de conteúdo para um projeto de portal corporativo. Conversávamos com o responsável por determinada publicação a ser disponibilizada no porta. Em dado momento, ele (o chamarei de Dr. P) me saiu com a seguinte frase: Eu me pergunto qual o interesse da empresa em colocar na internet essa revista...
Meio segundo de silêncio... como assim se pergunta qual o...
Veja bem, Dr. P, é importante por isso, isso e aquilo outro...bla, bla, bla... E toma a despejar pra cima do pobre todo aquele discurso de que a internet vai ampliar o público da revista, dar maior visibilidae etc. etc.
Quem pode afirmar, a priori, que Dr. P não está correto? Ele conhece seu público, sabe a quem interessa o conteúdo. E mais: sabe a que se presta, em termos políticos, tal conteúdo!
Certamente ele não fará nenhum movimento contrário à inevitável transposição do texto para a internet. Mas, fica como lição o fato de que nem sempre a solução mais tecnologicamente mirabolante vai atender às demandas do produto. De que adianta colocar no ar informação preciosa, mas subutilizada? Aqueles que conhecem a Bíblia, com certeza sabem da relação entre as pérolas e os porcos...
Por falar em desperdício: alguém merece aquele quiosque AD SHEL em frente ao Estação Botafogo? Mais ainda: alguém sabe quando foi que algum terminal computadorizado de informação pública no meio da calçada deu certo no Rio de Janeiro?
Mais uma vez, pérolas aos porcos...
Em tempo: o que que Luciana me pede que eu não faço? Agora me pediu para atualizar diariamente o blog. Vê se pode...
Esse é um mal que , certamente, assola a mente de todo projetista: pensar que sabe o que se passa pela cabeça do cliente e o que o cliente deseja. Pensa do alto de seu pedestal: Já que sou eu que vou executar o projeto, então ninguém melhor do que eu para dizer pro cliente qual a sua necessidade... Lêdo engano!
Vocês devem lembrar de uma propaganda da IBM em que figuravam dois senhores em uma conversa. Um dizia: Nós precisamos de um site na internet! E o outro, depois de pensar, pergunta: Site na internet? Para que?.
Pois é. Às vezes pensa-se saber muito e ter todas as convicções do mundo. Mas, como diria o velho e sempre emburrado Nietzsche: As convicções são maiores inimigas da verdade do que as mentiras.
Mas, por que falo dessas coisas? Hoje eu participei de reunião de levantamento de conteúdo para um projeto de portal corporativo. Conversávamos com o responsável por determinada publicação a ser disponibilizada no porta. Em dado momento, ele (o chamarei de Dr. P) me saiu com a seguinte frase: Eu me pergunto qual o interesse da empresa em colocar na internet essa revista...
Meio segundo de silêncio... como assim se pergunta qual o...
Veja bem, Dr. P, é importante por isso, isso e aquilo outro...bla, bla, bla... E toma a despejar pra cima do pobre todo aquele discurso de que a internet vai ampliar o público da revista, dar maior visibilidae etc. etc.
Quem pode afirmar, a priori, que Dr. P não está correto? Ele conhece seu público, sabe a quem interessa o conteúdo. E mais: sabe a que se presta, em termos políticos, tal conteúdo!
Certamente ele não fará nenhum movimento contrário à inevitável transposição do texto para a internet. Mas, fica como lição o fato de que nem sempre a solução mais tecnologicamente mirabolante vai atender às demandas do produto. De que adianta colocar no ar informação preciosa, mas subutilizada? Aqueles que conhecem a Bíblia, com certeza sabem da relação entre as pérolas e os porcos...
Por falar em desperdício: alguém merece aquele quiosque AD SHEL em frente ao Estação Botafogo? Mais ainda: alguém sabe quando foi que algum terminal computadorizado de informação pública no meio da calçada deu certo no Rio de Janeiro?
Mais uma vez, pérolas aos porcos...
Em tempo: o que que Luciana me pede que eu não faço? Agora me pediu para atualizar diariamente o blog. Vê se pode...
21 Dezembro 2004
Várias considerações
Tem toda a razão o Vicente "Webinsider" Tardin. Chega uma hora em que esses rebentos digitais tomam conta da gente de tal maneira que é impossível controlar...
Vejam o meu caso: depois que reativei esse blog passei a bombardear semanalmente a caixa postal de meus pacientes amigos para anunciar novos posts. Agora, vejo que criei um ser com vida própria, pois os meus simpáticos amigos cotinuam a visitar o blog em busca de novidades. Claro, para mim é lisongeador e serve para despertar a disposição em oferecer algumas outras singelas gotas de meu precário saber(!).
Mas, estou com a cabeça a fervilhar com mil reflexões. Ainda mais agora que voltei a ler o livro Quando Nietzsche chorou, de Irvin D. Yalon.
Bom, mas vamos ao que interessa! Apresentarei minhas reflexões de hoje em tópicos numerados para verificar se não me esqueci de nenhum assunto.
1. Sobre o banheiro do Manuel e Joaquim. Sexta-feira, várias arranjos com amigos, telefonemas e combinações de horários e locais para sair. Primeira parada: Cinelândia, com Marcelo Carneiro e umas amigas dele - escritoras. Chega Fabio Maia, chega Wilson, chega Paula. Alegria, alegria!
Dali partimos. Uns para o festival de jongo no Circo Voador, outros (inclusive eu) para o Manuel e Joaquim da Lapa. Uns pedem chopp, outro pede caipirinha, filé avenida, frango a passarinho etc. etc. Alguém decide ir ao toalete e volta horrorizado! Comassim! Reformaram o banheiro! Quem conhece o local sabe do clima que o torna tão agradável. É um bom humor que começa nos nomes dos pratos no cardápio e se espalha pelo ambiente, sempre muito bem freqüentado.
Não me contive e fui ver o novo banheiro do bar... Para minha decepção, estava reformado! Um verdadeiro banheiro de xópin! Onde havia uma plaquinha com a inscrição Beco dos Aflitos, há um glamuroso espelhão! As plaquinhas que havia na porta de cada toalete - gajos, em um, e raparigas, em outro - simplemente deram lugar a dois assépticos pictogramas international standard. Foi a gota d'água! Decidimos fazer nossa reclamação à simpática mocinha que gentilmente nos recebera à porta. Tadinha...Infelizmente, eu não posso fazer nada, dizia, mas vou levar a reclamação de vocês.
Claro que, do ponto de vista banheirístico, está melhor: mais amplo, mais iluminado, cores claras... Mas e a experiência? E a tradição? Lembram dos textos e das palestras onde falei sobre experience design? É isso. Ali, faltou exatamente ao arquiteto, ou seja lá quem tenha feito a obra, considerar que o banheiro e o corredorzinho que dá acesso a ele, fazem parte da mesma experiência sensorial, estética etc. do salão. Onde foi parar o bom humor? Para onde fugiu a descontração? Ficou muuuito careta aquele banheiro.
2. Sobre o banheiro do Casarão Cultural dos Arcos. Depois do Manuel e Joaquim partimos para o Casarão Cultural dos Arcos para assistir ao show do grupo Chinelo de dedo. Samba, choro, baião, forró. Tudo numa deliciosa mistura carioca emoldurado por um ambiente super aconchegante. O interior do local é uma experiência em si. Paredes detonadas ladeavam um amplo pé direito com iluminação difusa que valoriza o palco central. Ali estava, numa materialidade quase diáfama, o grupo Chinelo de dedo. Batemos papo, bebidinhas, tudo muito legal. Aí fui ao toalete.
Dessa vez, a experiência foi outra. O banheirinho parecia ainda um banheiro da Lapa! Porta de madeira, paredes pintadas de azul e outras coisas assim... E mais: fica do lado de fora (nos fundos, obviamente). Mas não pense você digníssimo leitor, que se trata de desleixo por parte da produção. Até porque tem uns espelhos muito legais por ali.
Em todos os aspectos, foi mantido o clima de Rio antigo, mas sem perder o pé na atualidade. Gostei.
3. Sobre a falta de banheiros na Lagoa. Domingo. Caminhada pela Lagoa Rodrigo de Freitas. Uns chuvisquinhos insistem em cair. Tudo bem, tudo bem. Saída para praia, Posto Nove. Praia vazia. Opção: retornar para a Lagoa e seguir caminhando de volta para casa. E dá uma vontadezinha... bem que podia ter uns banheiros químicos por ali...
4. Lingua: vidas em portugês. Excelente filme. Mostra o alcance que teve a língua portuguesa ao redor do mundo. Na Índia, na China, no Japão, em Portugual - evidentemente - no Brasil. A língua como ponto de contato, com ponto de atrito, como ponto de interação.
A língua como instrumento, como ferramenta de aproximação. Fundametal maneira de reconhecer o outro e de reconhecer-se no outro. Saramago chega a afirmar que não existe uma língua portuguesa, mas que existem línguas em português.
Muito bem, meus nobres e atenciosos amigos. Fico por aqui a lembrar de todos esses momentos de interação pessoa-pessoa. O computador? Ah, sim... em algums momentos ele esteve presente...
BlogBlogs.Com.Br
Tem toda a razão o Vicente "Webinsider" Tardin. Chega uma hora em que esses rebentos digitais tomam conta da gente de tal maneira que é impossível controlar...
Vejam o meu caso: depois que reativei esse blog passei a bombardear semanalmente a caixa postal de meus pacientes amigos para anunciar novos posts. Agora, vejo que criei um ser com vida própria, pois os meus simpáticos amigos cotinuam a visitar o blog em busca de novidades. Claro, para mim é lisongeador e serve para despertar a disposição em oferecer algumas outras singelas gotas de meu precário saber(!).
Mas, estou com a cabeça a fervilhar com mil reflexões. Ainda mais agora que voltei a ler o livro Quando Nietzsche chorou, de Irvin D. Yalon.
Bom, mas vamos ao que interessa! Apresentarei minhas reflexões de hoje em tópicos numerados para verificar se não me esqueci de nenhum assunto.
1. Sobre o banheiro do Manuel e Joaquim. Sexta-feira, várias arranjos com amigos, telefonemas e combinações de horários e locais para sair. Primeira parada: Cinelândia, com Marcelo Carneiro e umas amigas dele - escritoras. Chega Fabio Maia, chega Wilson, chega Paula. Alegria, alegria!
Dali partimos. Uns para o festival de jongo no Circo Voador, outros (inclusive eu) para o Manuel e Joaquim da Lapa. Uns pedem chopp, outro pede caipirinha, filé avenida, frango a passarinho etc. etc. Alguém decide ir ao toalete e volta horrorizado! Comassim! Reformaram o banheiro! Quem conhece o local sabe do clima que o torna tão agradável. É um bom humor que começa nos nomes dos pratos no cardápio e se espalha pelo ambiente, sempre muito bem freqüentado.
Não me contive e fui ver o novo banheiro do bar... Para minha decepção, estava reformado! Um verdadeiro banheiro de xópin! Onde havia uma plaquinha com a inscrição Beco dos Aflitos, há um glamuroso espelhão! As plaquinhas que havia na porta de cada toalete - gajos, em um, e raparigas, em outro - simplemente deram lugar a dois assépticos pictogramas international standard. Foi a gota d'água! Decidimos fazer nossa reclamação à simpática mocinha que gentilmente nos recebera à porta. Tadinha...Infelizmente, eu não posso fazer nada, dizia, mas vou levar a reclamação de vocês.
Claro que, do ponto de vista banheirístico, está melhor: mais amplo, mais iluminado, cores claras... Mas e a experiência? E a tradição? Lembram dos textos e das palestras onde falei sobre experience design? É isso. Ali, faltou exatamente ao arquiteto, ou seja lá quem tenha feito a obra, considerar que o banheiro e o corredorzinho que dá acesso a ele, fazem parte da mesma experiência sensorial, estética etc. do salão. Onde foi parar o bom humor? Para onde fugiu a descontração? Ficou muuuito careta aquele banheiro.
2. Sobre o banheiro do Casarão Cultural dos Arcos. Depois do Manuel e Joaquim partimos para o Casarão Cultural dos Arcos para assistir ao show do grupo Chinelo de dedo. Samba, choro, baião, forró. Tudo numa deliciosa mistura carioca emoldurado por um ambiente super aconchegante. O interior do local é uma experiência em si. Paredes detonadas ladeavam um amplo pé direito com iluminação difusa que valoriza o palco central. Ali estava, numa materialidade quase diáfama, o grupo Chinelo de dedo. Batemos papo, bebidinhas, tudo muito legal. Aí fui ao toalete.
Dessa vez, a experiência foi outra. O banheirinho parecia ainda um banheiro da Lapa! Porta de madeira, paredes pintadas de azul e outras coisas assim... E mais: fica do lado de fora (nos fundos, obviamente). Mas não pense você digníssimo leitor, que se trata de desleixo por parte da produção. Até porque tem uns espelhos muito legais por ali.
Em todos os aspectos, foi mantido o clima de Rio antigo, mas sem perder o pé na atualidade. Gostei.
3. Sobre a falta de banheiros na Lagoa. Domingo. Caminhada pela Lagoa Rodrigo de Freitas. Uns chuvisquinhos insistem em cair. Tudo bem, tudo bem. Saída para praia, Posto Nove. Praia vazia. Opção: retornar para a Lagoa e seguir caminhando de volta para casa. E dá uma vontadezinha... bem que podia ter uns banheiros químicos por ali...
4. Lingua: vidas em portugês. Excelente filme. Mostra o alcance que teve a língua portuguesa ao redor do mundo. Na Índia, na China, no Japão, em Portugual - evidentemente - no Brasil. A língua como ponto de contato, com ponto de atrito, como ponto de interação.
A língua como instrumento, como ferramenta de aproximação. Fundametal maneira de reconhecer o outro e de reconhecer-se no outro. Saramago chega a afirmar que não existe uma língua portuguesa, mas que existem línguas em português.
Muito bem, meus nobres e atenciosos amigos. Fico por aqui a lembrar de todos esses momentos de interação pessoa-pessoa. O computador? Ah, sim... em algums momentos ele esteve presente...




