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14 Julho 2005
Vida Digital?
Às vezes me vejo tomado de assombro diante da dura realidade criada com a apropriação que os indivíduos fazem da tecnologia. O debate sobre os benefícios e males causados pela introdução de novos recursos tecnológicos é algo que existe desde que o homem desenvolveu seus primeiros artefatos. Certamente a busca tem sido por mais facilidades, por mais conforto e, não se pode esquecer, por mais produtividade.
Talvez o fato mais lapidar tenha sido o ocorrido na Inglaterra em 1812, quando Ned Ludd enviou a seguinte carta para o proprietário de uma tecelagem no leste daquele país:
"Possuímos informações de que você é um dos proprietários que têm um desses detestáveis teares mecânicos e meus homens me encarregaram de escrever-lhe, fazendo um advertência para que você se desfaça deles... atente para que se eles não forem despachados até o final da próxima semana enviarei um dos meus lugar-tenentes com uns 300 homens para destruí-los, e, além disso, tome nota de que se você nos causar problemas, aumentaremos o seu infortúnio queimando o seu edifício, reduzindo-o a cinzas; se você tiver o atrevimento de disparar contra os meus homens, eles têm ordem de assassiná-lo e de queimar a sua casa. Assim você terá a bondade de informar aos seus vizinhos de que esperem o mesmo destino se os seus tricotadores não sejam rapidamente desativados."
"Louco!", diríamos hoje, sem titubear... Por outro lado, pode também ocorrer exatamente o inverso. Ou seja, tomados pelo medo de parecer antiquados, por fora das novidades e tal, muitas vezes acabamos por seguir o "vai-da-valsa" das inovações fantásticas que a propaganda nos mostra a cada semana.
Mas é inevitável o avanço, da mesma forma que são inevitáveis as mudanças decorrentes do avanço. Tratar de tópicos como inclusão digital, por exemplo, a mim me soa sem relação com o momento atual pois já estamos incluídos no mundo digital. Tem dúvida? Então vejamos: vou ao supermercado - tem o leitor de código de barras, o computador do caixa; vou ao banco - quem me atende é o caixa eletrônico; quero falar com um parente distante - uso o aparelho de telefone celular, ou o convencional com fibras óticas; vou até o centro da cidade de ônibus - há as roletas eletrônicas. E por aí vai.
A partir desta perspectiva, torna-se falaciosa a expressão "inclusão digital" por ficar claro que os indivíduos, de maneira consciente ou não, já se encontram em um mundo digital. Não que isso signifique que todos possuam, ou devam possuir, computadores, internet e celulares. O esforço a ser realizado deve ser no sentido de capacitar o indivíduo para tirar proveito dessa tecnologia que tenta emagar e devorá-lo, como uma esfinge construída de bits no lugar de blocos de pedra.
Fatos realmente aterradores têm ocorrido, como se fossem elementos de uma obra de ficção. Adolescentes de classe média alta carioca publicaram na internet fotos de seqüências de sexo em um toalete da escola onde estudavam. Fotos essas registradas com as câmeras de seus inofensivos aparelhos celulares. Houve, pelo menos, um outro caso semelhante a este noticiado pela mídia. Na Europa, o grupo que assumiu os atentados em Londres afirmou que, para preparar os ataques, obteve informações em websites, em vídeos e DVDs. É o próprio aprendizado eletrônico a distância a apresentar sua eficiência!
O "avanço" e o "progresso" têm seu preço. Qual postura assumir? A postura do bom senso, creio: nem abraçar a tecnologia como a tábua de salvação da humanida, nem refutá-la como os seguidores de Ludd.
12 Julho 2005
Monumento à Juventude Brasileira
A obra Monumento à Juventude Brasileira é de autoria do escultor brasileiro Bruno Giorgi, nascido em São Paulo no ano de 1905. A escultura está localizada nos jardins do Palácio Gustavo Capanema, prédio do MEC no Rio de Janeiro.Também é da autoria de Giorgi um dos monumentos mais conhecidos de Brasília: o bronze Guerreiros.
11 Julho 2005
E a greve continua...



Fiquem atentos às investidas das PPPs, ou parcerias público-privadas... ou será basta assistir a produções Madagascar, Guerra dos Mundos, Quarteto Fantástico e babar com seus efeitos tri-especiais? Enquanto isso, nossa cultura e nossa digninidade vai para o ralo.




